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Como a Malbec se tornou a uva mais importante da Argentina

Como a Malbec veio da Europa à América e se tornou mais argentina do que francesa?

Há anos a Malbec carrega a bandeira argentina no peito com orgulho, tradição e muita personalidade. Quem não conhece sua história, mal sabe que seu nome já foi Cot, lá pelas bandas de Cahors, na França. E como ela chegou à América e se tornou um ícone argentino? Pegue uma taça que vamos te contar essa história.

Cahors está numa península às margens do rio Lot, em uma cidadezinha vizinha de Bordeaux cercada por rios, cachoeiras e trilhas, quase sem sol. Foi lá que nasceu a Malbec. Com poucas condições para amadurecer como deveria, originou os “vinhos negros de Cahors”. Eram tânicos, densos e, principalmente, muito escuros. Todas essas características agressivas em nada agradaram aos franceses, e a uva foi ficando esquecida (até um tanto desprezada!) na França.

Em contrapartida, Michel Aimé Pouget, agrônomo francês, viajou à Mendoza em meados de 1852 por uma iniciativa dos agricultores locais para estudar os climas favoráveis da América do Sul. Michel levou várias castas francesas, entre elas, a rechaçada Malbec.

Ah, não houve dúvida! A cepa encontrou (literalmente) o seu lugar ao sol. Amadurecendo no solo seco e clima desértico da Argentina, aflorou sua maciez em boca, deixou viver suas frutas e conquistou paladares mundo afora com o dulçor natural da uva. Em 1977, houve um um incentivo do governo para produzir os primeiros Malbecs em barril de carvalho. A estrutura, a vivacidade e as nuances especiadas que o vinho ganhou fizeram tanto sucesso que Mendoza tornou-se um referencial na produção de Malbec.

Voltando à França…

No fim do século 19, o país começou a sofrer com o ataque da praga filoxera que devastou grande parte de seus vinhedos. Bastou alguns anos para que a Argentina fosse o único país do mundo com videiras originais de Malbec. Hoje, muitos já foram recuperados e a casta é bastante utilizada em cortes na Europa, mas não restam dúvidas de que ela se fixou como a uva nacional argentina.

Na França, prevalecem as notas herbáceas e rústicas, enquanto no país dos “hermanos” destaca-se pela maciez, frutas e dulçor.

Quem diria que o grande ícone argentino teria nascido na França, não é mesmo?

Não deixe de provar um típico Malbec argentino, feito pela vinícola Escorihuela Gascón, a mais antiga e tradicional da região de Mendoza.

Vinho Tinto Escorihuela Familia Gascón Malbec 2016 750 mL


Por Carol Oliveira

 

As principais uvas tintas do mundo e suas características

Acha que consegue reconhecer um Cabernet Sauvignon às cegas? E um Merlot? Aprenda as características das principais variedades tintas de uvas do mundo!

Parte das características de um vinho se deve a uva que lhe deu origem (são os ditos aromas primários!). É claro que a bebida pode variar de acordo com a região e com outros fatores, mas a melhor maneira de se orientar na hora de escolher um bom vinho é saber quais são as uvas das quais ele foi feito!

Conheça as principais uvas tintas do mundo e suas características

Cabernet Sauvignon

Com muita intensidade – desde a cor até os aromas e a estrutura do vinho em boca -, a Cabernet Sauvignon traz essa marca registrada em diverso portfólio da uva. Frutas, com destaque às groselhas -, toques vegetais ou herbáceos, de tabaco, café e baunilha são esperados deste vinho encorpado, tânico e superpotente.

Nossa indicação de vinho para você conhecer a Cabernet Sauvignon é o vinho tinto Cobos Felino Cabernet Sauvignon 2014, da premiada Vinã Cobos. Você pode conferir mais informações d cias de harmonização desse rótulo aqui.

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Vinho Tinto Cobos Felino Cabernet Sauvignon 2014 750 mL

Merlot

A característica mais marcante da Merlot – e pela qual a uva é mais conhecida – não é um aroma ou um sabor, mas a maciez com que seus vinhos passeiam pela língua. Frutas negras, violetas e toques terrosos seduzem o nariz, mas finalizam com uma boca tão macia que caracteriza a uva por produzir vinhos fáceis de beber.

Para conhecer melhor a Merlot, o Vinho Tinto Mancura Etnia Merlot pode ser o rótulo que você estava esperando!

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Vinho Tinto Mancura Etnia Merlot 2015 750 mL

Carménère

Com acidez e corpo médios, os vinhos de Carménère (os chilenos que o digam) são marcados pelo caráter herbáceo e vegetal de seus vinhos. Há até alguns exemplares mais frutados, outros com mais caráter da madeira, mas a maioria traz tantas notas de pimentão verde que virou marca registrada da uva.

Apesar de ser produzido em uma vale frio, o Leyda Reserva a Carmenénère preservou os aromas de frutas maduras e trouxe mais elegância ao vinho, além de um frescor incomparável aos outros Carménères produzidos no Chile.

Conheça mais sobre a história da Carménère em nossa matéria especial sobre a uva.

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Vinho Tinto Leyda Carménère Reserva 2015 750 mL

Malbec

Quase tão intensa quanto a Cabernet, a tipicidade da Malbec também prevê muito corpo e muitos taninos, além de aromas e sabores exuberantes. Ameixas e o frescor de menta estão, na maioria das vezes, associados aos sabores do carvalho, muito utilizado no processo de envelhecimento de seus vinhos.

Para experimentar toda a tipicidade da Malbec, a pedida é o Vinho Tinto Cobos Felino, da argentina Vinã Cobos.

A Malbec também tem um dia especialmente dedicado à ela: O Malbec Day, comemorado dia 17 de abril. Conheça mais sobre a história da uva aqui!

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Vinho Tinto Cobos Felino Malbec 2015 750 mL

Pinot Noir

Frutas silvestres representam o início dos aromas de um Pinot Noir, mas a mais sensual das uvas expressa também notas terrosas e herbáceas. A variedade francesa é conhecida por ser a mais leve das castas tintas (algo que se nota pela cor, por vezes, translúcida), consequência de sua casca fina, que passa menos cor, corpo e taninos para o vinho. Em compensação, é bastante aromática.

Aproveite para experimentar esse vinho que foi considerado pelo Guia Descorchados uma de Pinot Noir: Vinho Tinto Terroir Único Pinot Noir.

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Vinho Tinto Zorzal Terroir Único Pinot Noir 2013 750 mL

Syrah

Conhecida como Shiraz no Novo Mundo, onde se deu tão bem quanto no Velho, a Syrah é outra variedade intensa que exibe aromas de frutas negras, mas com um diferencial: as especiarias. Desde pimenta-do-reino até cravo, canela e alcaçuz.

O espanhol Vinho Tinto Alceño Premium 50 Barricas Syrah 2012 vem da região da Jumilla e é feito com 100% uva Syrah e harmoniza muito bem com carnes assadas na brasa, queijos e embutidos variados, arroz de pato, paella valenciana, perdiz e massas com molho substanciosos.

 

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Grenache

Apesar de a Grenache ser mais conhecida pelos cortes com Syrah e Mourvèdre, típico do Rhône, é uma das uvas que estão se tornando mais populares ultimamente – mas com o nome Garnacha, como é na Espanha, ou Samsó, na Catalunha. Os vinhos de Grenache costumam ser encorados, trazendo notas de frutas vermelhas, especiarias, toffe e café.

A Garnacha é uma uva que aparece mais comumente em cortes. Por isso, para conhecer toda a tipicidade, sabores e aromas que essa uva tem a oferecer, é importante provar um vinho feito 100% com a Garnacha, como o Vinho Tinto Menguante Garnacha 2015.

Você sabia que a Grenache possui um dia só dela? Conheça a história da uva aqui.

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Tempranillo

Na lista das uvas tintas mais com taninos, a Tempranillo é a principal uva da Espanha e marca seus vinhos com sabores de frutas vermelhas, sobretudo morangos. Ela dá paladar levemente adocicado a seus vinhos – impressão gerada pelo amadurecimento das notas frutadas e da transformação dessas frutas em geleia.

Nossa indicação para conhecer a Tempranillo é o Vinho Tinto Algairén Trempanillo, pelo qual você pode conhecer a uva mais famosa da Espanha.

Quer saber mais sobre a casta espanhola? Fizemos um artigo especial sobre ela que você confere aqui!

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Sangiovese

A mais italiana das uvas traz aromas e sabores que vão das ameixas até tomates, passando por chá e por notas terrosas. Seus vinhos vão de médio corpo a encorpados, mas trazem sempre muitos taninos – característica que lhes garante longa guarda. A acidez, marcante em todo o solo italiano, também é uma das características da Sangiovese.

Prove uma Sangiovese vinda diretamente da região de Toscana, na Itália, com o Vinho Tinto San Pancrazio Villa Masti Chianti DOCG 2014.

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Cabernet Sauvignon: a uva mais cultivada no mundo

De Bordeaux ao Napa Valley, da Itália ao Chile, da França ao mundo. O apelido “rainha das uvas” não é à toa. Saiba mais!

Quem não gosta de Cabernet Sauvignon?! Não só é a variedade mais conhecida e querida por amantes de vinho, como é também a mais cultivada do mundo. Conheça as características da variedade em cada uma das suas principais regiões de cultivo.

Características da Cabernet Sauvignon

Conhecida por ser uma variedade vinífera intensa e profunda, a Cabernet Sauvignon possui frutos pequenos, fazendo com que aumente a proporção de casca para polpa. Como sabemos, propriedades aromáticas do vinho, além de características como tanino e cor, concentram-se justamente nas cascas – o que explica a intensidade da bebida facilmente reconhecível à taça.

Com coloração profunda, exibe aromas de frutas negras – ameixas, groselhas e cerejas-, notas herbáceas e mentoladas, além de tabaco, café e baunilha, comumente adquiridas durante estágio em carvalho. É normalmente bastante encorpado e tânico, com elevado potencial de guarda.

Origem da Cabernet Sauvignon

Resultado do cruzamento entre Cabernet Franc e Sauvignon Blanc – daí o nome Cabernet Sauvignon -, a “rainha das uvas” teria nascido no sul da França. Apesar de um estudo realizado na Califórnia em 1997 ter constatado tais fatos, fica difícil dizer exatamente o local de origem da uva tinta mais popular.

Bordeaux, França

Lar clássico da Cabernet Sauvignon, Bordeaux é também a região que fez fama mundo afora graças ao poder da variedade. Além de a uva entrar no corte bordalês (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot), é a principal variedade cultivada na margem esquerda do rio Girone, que se estende ao longo da região.

É na margem esquerda que estão alguns dos maiores nomes de toda Bordeaux: Saint-Estèphe, Pauillac, Saint-Julien e Margaux (todas sub-regiões da prestigiada Médoc) e Pessac-Leógnan (sub-região de Gràves). Já deu para perceber a importância da cepa?

Cultivo da uvas Cabernet Sauvignon em outros países

Fora de Bordeaux, a Cabernet Sauvignon aumentou seu império e ganhou força em outras partes do Velho e do Novo Mundo. Mas em cada lugar, ela ganha características que lhe fazem particular. Confira as principais:

Itália

Depois da França, foi na Itália a segunda parada de destaque da Cabernet Sauvignon no Velho Mundo. Ela integra os “vinhos rebeldes” da Toscana, os Supertoscanos, e alguns grandiosos do Piemonte e da Sicília.

Por muito tempo, a uva seguiu como sendo proibida no país (assim como todas as outras variedades internacionais), mas hoje é conhecida por alguns dos vinhos mais ambiciosos da Itália. Com muita estrutura e final de boca amargo, os Cabernets italianos costumam ser muito saborosos.

Estados Unidos

Dizem que depois de Bordeaux, é em Napa Valley, na Califórnia, que a Cabernet Sauvignon se sente mais à vontade. Os Cabernets de lá trazem, normalmente, muitos taninos, mas macios e maduros. Suas notas vão mais para o lado das cerejas, enquanto que os melhores podem trazer notas de bolo de cereja e madeira.

Chile

Em cada um dos quatro principais países produtores da América do Sul, houve uma variedade francesa a que melhor se adaptou. A potente Malbec na Argentina, a macia Merlot no Brasil, a tânica Tannat no Uruguai e a intensa Cabernet Sauvignon no Chile. No estreito país sul-americano, destacam-se as notas herbáceas da variedade: pimentão e folhas de groselha. Procure por Cabernets dos seguintes vales chilenos: Maipo, Colchagua, Cachapoal e Rapel.

África do Sul

Por vezes, os vinhos tintos de Stellenbosch são confundidos com os dos grandes châteaux de Bordeaux. Isso se deve à alta concentração de taninos e acidez de seus Cabernets. Apesar disso, costumam ser mais herbáceos do que frutados.

Austrália

Destacam-se duas regiões vinícolas australianos pelo cultivo da Cabernet Sauvignon – Coonawarra e Margaret River. São vinhos tintos com muitas frutas negras, toques herbáceos e taninos marcantes.

Líbano

As tentativas de se levar a Cabernet Sauvignon para regiões mediterrâneas têm dado bons resultados – e o Líbano é a prova viva disso. Sua principal região, Vale do Bekaa, onde a uva amadurece com notas de licor que, nas palavras de Jancis Robinson, “confundem até os apreciadores mais preconceituosos”.

Para conhecer a uva Cabernet Sauvignon, a Grand Cru indica o vinho tinto Cobos Felino Cabernet Sauvignon 2014, da Vinã Cobos!

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