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Vega Sicilia – por trás do mito! Entrevista exclusiva com Antonio Menéndez

Na entrevista exclusiva concedida para a Grand Cru, o Diretor Comercial da vinícola Vega Sicilia, Antonio Menéndez, falou com nossa equipe sobre o trabalho desenvolvido na adega, os motivos que tornaram os seus vinhos os mais famosos da Espanha, e até mesmo as fotos postadas no Instagram por Messi e Neymar com as garrafas do vinho Unico! Confira:

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Saiba tudo sobre os vinhos da região do Toro na Espanha

A Espanha possui mais de um milhão de hectares de vinhas, o que a classifica como o país que possui maior área vitícola do mundo. Sendo assim, há uma enorme variedade de regiões vinícolas. Conheça Toro: a geografia, o terroir, as uvas e, é claro, os vinhos.

A história do vinho espanhol é bem longa, começou há aproximadamente três mil anos com métodos bem rudimentares e que, com o tempo, foram introduzidas novas tecnologias, até que a Espanha se tornou um dos países mais tecnológicos em termos de produção de vinho. Uma dessas tecnologias é a introdução de métodos bordaleses (que incluem maior espera para a separação entre a cepa e o líquido), além da utilização do aço inoxidável e irrigação (que passou a ser legal apenas onze anos após ser introduzida na região).

Uma breve história sobre a região do Toro

A produção vitivinícola era grande e prestigiada durante a Idade Média, inclusive a região foi responsável por abastecer os navios que partiam em busca do Novo Mundo. No século XIX o Toro importou muitos rótulos para a França que sofreu com a crise da filoxera.

Apesar da região já ser reconhecida, nas últimas décadas houve uma enorme evolução em termos de qualidade dos vinhos. Um grupo de jovens enólogos foi responsável por atualizar o Toro em novas tecnologias, aperfeiçoando métodos de colheita e vinificação.

A denominação de origem foi regulamentada em 1987, valorizando ainda mais o mercado de vinhos do Toro, colocando a região no mapa mundi dos vinhos.

Saiba quais são as uvas mais importantes e como elas são percebidas nos vinhos do Toro

A uva mais cultivada na região do Toro é a Tempranillo. Os vinhos desta variedade são normalmente muito encorpados, com acidez média para alta, taninos acentuados e bastante alcoólicos. Os aromas mais comuns são de cereja, tabaco, figo seco e amoras e o potencial de guarda é de normalmente dez anos. Existe um clone da Tempranillo chamado Tinta de Toro, que possui a pele mais grossa e produz vinhos com até 15% de graduação alcoólica que também é muito cultivada no Toro.

Já a Garnacha é outra das uvas mais importantes da região. Os vinhos que produz são caracterizados por corpo, acidez e taninos médios, mas muito frutados. Os principais aromas perceptíveis são de framboesa, figo, ameixa seca e alho. São vinhos para serem consumidos jovens.

O clima e terroir do Toro

A região em que a denominação de origem Toro se localiza é Castilla y León, fica a 700 metros de altitude, em uma área que é montanhosa que impede influências marítimas. Isso implica em dias longos e quentes e noites frias, com uma amplitude térmica de até 20ºC, o que é bom para castas como a Tempranillo.

A exposição solar é excelente e a pluviosidade é bem baixa, características típicas do clima continental.

Que tal experimentar um vinho do Toro?

O vinho tinto Monte Hinesta Toro Joven é perfeito para acompanhar massas ou aperitivos. Traz notas de morangos, cerejas e ameixas pretas no nariz enquanto, em boca, percebe-se taninos macios, boa acidez e final persistente. Um rótulo biodinâmico feito com Tinta de Toro cultivada em vinhas de 65 anos.

Vinho tinto Monte Hinesta Toro Joven 2011 750 mL

Vinho tinto Monte Hinesta Toro Joven 2011 750 mL


Por Vivian Colello

Tempranillo: a principal uva da Espanha

Caiu no gosto dos brasileiros e faz sucesso por onde passa. É ela, a Tempranillo. Espanhola inegável, geralmente chega marcada em taninos, pouco álcool e frutas, além de apresentar, em boca, excelente maciez e elegância.

A Tempranillo é a cepa mais cultivada da Espanha e, em Rioja, região emblemática para a uva, ela domina cerca de 85% da área de cultivo. Impossível não mencionar Ribera del Duero, beneficiada pela proteção contra o vento, além de boa altitude, onde a casta rende alguns dos melhores exemplares e, assim como em Rioja, compõe grande parte dos cortes produzidos.

Mas nem só de Espanha vive a Tempranillo. Pode ser encontrada em Portugal, onde é conhecida como Aragonês na região do Alentejo (e pode render vinhos encorpados e suculentos devido ao amadurecimento no clima quente da região) e Tinta Roriz, no Douro, onde é muito utilizada na produção de vinho do Porto. Argentina, Austrália e até Estados Unidos também são países onde a Tempranillo é cultivada, além, é claro, de muitas sub-regiões dentro da Espanha.

De muitos nomes e fácil adaptação, não se espante ao degustar exemplares da casta com evidentes diferenças entre uma região e outra: ela rende vinhos únicos e de características particulares em cada região por onde passa, absorvendo muito do terroir. Você poderá encontrar desde rótulos mais simples, com pouca ou nenhuma passagem por madeira, feitos para serem bebido jovens, até vinhos de intensa complexidade e longa guarda.

Como se apresentam fáceis, macios e equilibrados na maioria das vezes, não requerem sempre uma harmonização, podem, tranquilamente, serem bebidos sozinhos, mas se quiser algo no prato, nada como carnes de caça (cordeiro ou javali especialmente), embutidos ou carnes defumadas.

E você, já provou o seu Tempranillo hoje?

Para conhecer mais profundamente os aromas e sabores da Tempranillo, a Grand Cru indica esse rótulo biodinâmico da região espanhola da Aragón, o Vinho Tinto Menguante Tempranillo.

Vinho Tinto Menguante Tempranillo 2014 750 mL

Vinho Tinto Menguante Tempranillo 2014 750 mL


Por Carol Oliveira

Como o Priorato tornou-se tão popular

É curioso pensar que os vinhos mais caros da Espanha vem de uma região que praticamente não existia há 15 anos e que ainda hoje é quase desconhecida fora da Espanha, o Priorato. Quem disse isso foi ninguém menos do que a Master of Wine Jancis Robinson.

Ainda hoje é raro ouvir falar nos vinhos do Priorato. Provar um de seus vinhos fora da Espanha era coisa impossível há 20 anos atrás. Isso porque a sub-região da Catalunha, na costa Mediterrânea da Espanha, produzia, até os anos 1980, vinhos com finalidade religiosa (e foi descoberta por jovens enólogos que, interessados pelo potencial de vinhas velhas, mudaram os rumos de sua história!).

A história do Priorato

O Priorato foi povoado pelos monges cartuxos vindos da Provença no século 12. Com o objetivo de produzir vinho para a eucaristia, os monges trouxeram a cultura da vinha para a região (e talvez seja essa a razão para a presença de Garnacha, conhecida como Grenache na França). E foi assim até 1979, quando a história vinícola da região começou a mudar…

René Barbier foi o protagonista dessa mudança. O jovem enólogo, enquanto desenvolvia um projeto pessoal em Penedès, visitou a região próxima e constatou o potencial de algumas vinhas centenárias – sobretudo de Garnacha – que estavam lá plantadas, destinadas a produção de vinho com finalidade religiosa. À época, percebeu que Garnacha e Cariñena eram as variedades que melhor se adaptaram no terroir do Priorato. Barbier chamou, então, outros quatro enólogos para identificar quais eram os terrenos mais propícios. Eram eles: José Luiz Perez, Carles Pastrana, Daphne Glorian e Alvaro Palacios.

Os cinco enólogos começaram a cultivar uvas nesses melhores e mais íngremes terrenos do Priorato e, logo  na primeira safra, introduziram novas técnicas de vinificação, assim como o uso moderado do carvalho. O resultado foi surpreendente…

Portão principal do Monastério Scala Dei, no Priorato.

O terroir do Priorato

O grande segredo dos vinhos do Priorato está justamente no solo, formado da mistura de argila e xisto vermelho com quartzo, chamado llicorella. Extremamente mineral quebradiço, o solo de llicorella facilita a penetração da raiz da videira no lençol freático, aumentando a disponibilidade de água, além de refletir o calor e a luz do sol na planta.

Embora a região pareça próxima do mar, está praticamente isolada de influências do Mediterrâneo. Suas uvas crescem sob clima extremo, quente e seco, concentrando grande quantidade de açúcares. O terreno é bastante irregular, fazendo com que a maioria dos vinhedos esteja disposta em colinas – sendo que as melhores vinhas têm orientação norte e leste, de modo que fujam da exposição solar excessiva.

A soma de todos esses fatores fazem com que o rendimento dos vinhedos seja muito baixo, o que, somado à idade avançada das vinhas, resulta em excelente concentração e complexidade em taça. Não à toa, os vinhos da região são com frequência referidos críticos com “dirigidos pelo terroir” (“terroir-driven”, em inglês).

“Bush vines” (ou vinha em arbusto) em encosta íngreme no Priorato.

As uvas do Priorato

Até a praga da filoxera chegar à região no século 20, a Garnacha era a uva amplamente mais cultivada na região. E ela continua a ter grande importância, sobretudo quando originada de vinhas velhas, de vinhedos sem condução (vinha em arbusto ou “en vaso”, em espanhol) e em solo infértil de llicorella. Nessas condições, produz os melhores vinhos do Priorato.

Além dela, Cariñena entra no ról das uvas mais importantes – que também vê excelentes resultados quando cultivada em vinhas velhas -; assim como castas internacionais, como a Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot, que têm ganhado cada vez mais destaque.

Que tal provar um vinho do Priorato?

A vinícola Mas Martinet é uma das que mais se destacam na região do Priorato e o Menut Piorat é criação de uma das mais influentes enólgas do mundo,  Sara Perez. Este vinho tinto possui aromas de cereja e ameixa, com sabores de frutas maduras que agraciam o paladar.

vinho-tinto-mas-martinet-menut-priorat-2014-750-ml

Vinho Tinto Mas Martinet Menut Priorat 2014 750 mL


Por Gustavo Jazra