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O Carnaval da Europa e o Carnaval no Brasil, por Amandine Castillon

Vou confessar uma coisa para vocês: antes de vir morar no Brasil, eu conhecia muito pouco sobre o Carnaval daqui. Para mim, os mais conhecidos eram os de Veneza e as outras festas super tradicionais que acontecem pela França e no País Basco. Afinal, o Carnaval é uma tradição muito antiga na Europa!

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Billecart-Salmon: 198 anos de excelência na produção de Champagne

Delicadeza, elegância e qualidade são os três valores que Billecart-Salmon orientam a sua produção há quase 200 anos. Localizada em Champagne, a vinícola já foi vencedora do concurso de Champagne do Século.

A história da Casa de Champage Billecart-Salmon

A vila Mareuil-sur-Aÿ, na região Champanha-Ardenas, França, foi palco do romance entre Nicolas François Billecart e Elizabeth Salmon, ambos de famílias tradicionais do ramo vitivinicultor. Da união dos dois, nasceu a Casa de Champagne Billecart-Salmon, uma vinícola que faz espumantes mundialmente premiados.

Desde 1818, a Casa já passou por seis gerações da família Billecart, perpetuando a hereditariedade na gerência da vinícola. Apesar disso, a Billecart-Salmon nunca deixou de buscar excelentes enólogos para incrementar a sua arte de fazer vinhos.

A partir de 2005, o Grupo Frey, dono das vinícolas Paul Jaboulet Aîné e Château La Lagune, passou a possuir 45% da Billecart-Salmon, enquanto os outros 55% continuam pertencendo aos irmãos François e Antoine Roland-Billecart.

A Casa de Champagne Billecart-Salmon. Foto: Instagram Billecart-Salmon @champagne_billecart_salmon

A Casa de Champagne Billecart-Salmon. Foto: Instagram Billecart-Salmon @champagne_billecart_salmon

O famoso jardim da Casa de Champagne Billecart-Salmon

O jardim da Casa de Champagne é um dos emblemas de Billecart. Em 1926, o belo jardim da propriedade foi redesenhado em estilo francês por Charles Roland-Billecart, com a intenção de criar uma atração turística no coração da vila Mareuil-sur-Aÿ.

Anos depois, uma tempestade devastou o jardim, deixando apenas uma única árvore de castanhas, que completou 198 anos em 2016. Francois Roland-Billecart pediu então a ajuda da irmã Véronique para reconstruir e aumentar o jardim do avô.

A preservação e o cuidado com o jardim tiveram participação de todas as gerações envolvidas na história de Billecart. Hoje, o jardim ainda existe e é aberto à visitação, como uma das principais atrações turísticas da vinícola.

Jardim da Casa de Champagne

Jardim da Casa de Champagne / Imagem: divulgação

O que faz da Billecart-Salmon uma Casa de Champagne tão especial?

A Billecart-Salmon não ganhou sua fama à toa. Conhecida pelo extremo cuidado com as uvas cultivadas em sua propriedade, a Casa de Champagne conseguiu aliar uma produtividade excepcional com um respeito pelas tradicionais técnicas de produção de vinho.

Preocupada em otimizar a produção dos seus produtos vintage, produzidos com 100% de uvas da mesma casta, a Casa de Champagne adquiriu uma adega de calcário com capacidade para mais de 450 barris de carvalho. Hoje, segundo dados da Wine-Searcher, a Billecart produz nada menos do que 1,7 milhões de garrafas por ano em sua propriedade.

Foto:

Foto: Instagram Billecart-Salmon @champagne_billecart_salmon

Os métodos de produção foram transmitidos transmitindo de geração em geração, tentando preservar técnicas antigas e tradicionais, como o resfriamento do mosto (vinho doce) para prolongar a fermentação em temperatura baixa, técnica que conserva aromas frescos e intensos no vinho.

A Casa também se destaca pelo cuidado no cultivo das castas escolhidas. Considerando a fragilidade da casta Pinot Noir e a sua dificuldade de adaptação climática, foi construída uma muralha protetora de pedras nos entornos do hectare destinado ao cultivo da uva, minimizando os danos que poderiam ser causados pelo vento frio.

Entenda mais sobre a Pinot Noir aqui, em nossa matéria especial sobre a casta.

Conheça a região de Champanha-Ardenas na França, onde fica Billecart-Salmon

A região de Champanha-Ardenas é caracterizada por grandes lagos e grandes extensões de terra cobertas por parques ecológicos.

O clima é continental fresco, com temperaturas baixas mesmo em temporada de crescimento. A pluviosidade local não é alta, de forma que o solo de giz é o grande responsável pela drenagem de água, mantendo as videiras hidratadas.

Champagne é uma região de muitos desafios para a viticultura: os solos são pobres e as geadas frequentes. Por isso, as vinícolas eram obrigadas a utilizar a suplementação com fertilizantes, hábito que está caindo em desuso com o comprometimento dos novos produtores com a sustentabilidade do solo e que encabeçam ambiciosos projetos que visam diminuir o uso de adubos industriais.

Denominação de Origem de Champagne

Denominação de Origem significa que um vinho foi produzido em uma região específica do planeta, em um determinado terroir, seguindo orientações rígidas para o cultivo das uvas e como elas devem ser transformadas em vinho.

A AOC Champagne é delimitada em uma área de 34 mil hectares, dividida nas regiões Montagne de Remis (onde é localizada Billecart-Salmon), Valée del Marne, Côte des Blancs, Vinhedos de Aube e Côte de Sézanne.

As uvas permitidas para a elaboração de um vinho denominado Champagne são Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier e as quatro uvas menos conhecidas Arbanne, Petit Meslier, Pinot Blanc e Pinot Gris.

A ordem para o método de elaboração conhecido com Champenoise consiste em duas partes, primeiro a produção de um vinho tranquilo (isso significa sem borbulhas), seguida pela segunda fermentação, responsável por tornar o vinho em espumante.

Isso significa que, embora muitas pessoas costumem chamar qualquer espumante de Champagne, apenas os Champagnes produzidos nessa AOC podem ser, de fato, denominados assim. Ou seja: todos Champagne é um espumante, mas nem todo espumante é um verdadeiro Champagne.

Conheça as principais linhas de Champagnes da Billecart-Salmon

Entenda as diferentes linhas de Champagne produzidas na propriedade Billecart-Salmon

Linha Collection

A linha básica de Billecart-Salmon contém vinhos nas categorias Brut, Extra Brut, Brut Sous Bois e Demi-Sec.

Brut Rosé

Um corte de Chardonnay, Pinot Noir e Meunier que transforma a bebida em um espumante cremoso, com aromas de frutas vermelhas e cítricas. O fim do vinho é refrescante com notas de framboesa.

Espumante Billecart-Salmon Brut Rosé

Espumante Billecart-Salmon Brut Rosé

Brut Réserve

Leve e harmonioso, feito a partir de um corte com uvas de diferentes anos. O espumante traz aromas de frutas frescas, principalmente pera, tem um toque maduro, floral e final fresco. Um vinho muito delicado.

Billecart-Salmon Brut Réserve

Billecart-Salmon Brut Réserve

Linha Millésime

Vintage, Blanc de Blancs, Nicolas François BIllecart e Elisabeth Salmon são os rótulos que compõe a linha, feitos em homenagem aos fundadores da vinícola.

Vintage

O espumante de corte branco que mistura o elegante aspecto mineral da uva Chardonnay e a forte dominância de Pinot Noir.

Espumante Billecart-Salmon Vintage 2006

Espumante Billecart-Salmon Vintage 2006

Linha Clos Saint-Hilarie

Único vinho da linha, Clos Saint-Hilarie é resultado do cultivo de Pinot Noir em um pedaço específico do terroir de Billecar-Salmon com videiras que foram plantadas na década de 1950.

Billecart-Salmon foi premiada como no concurso Champagne do Milênio

No fim do século XX, Estocolmo residiu o concurso de Champagne do Milênio. Antonie Roland-Billecart recusou o convite para inscrever seus rótulos no evento, mas logo mudou de ideia. Para sua sorte, os dois espumantes inscritos, o Nicolas François Billecart 1959 e o Nicolas François Billecart 1961, ganharam o 1º e 2º lugar do concurso, respectivamente.

Por Vivi Colello

A história da uva Carménère

Parece que as uvas francesas gostam mesmo dos solos da América Latina. A história da Malbec você já conhece, mas sabia que a Carménère também é outra cepa europeia que encontrou seu lugar ao sol aqui pertinho?

Vamos ao princípio. Por muito tempo, lá na França, principalmente pelas propriedades de Bordeaux, a Carménère e a Merlot eram cultivadas juntas, até por terem um tempo de amadurecimento bastante parecido. Tornou-se extremamente tradicional em Bordeuax e em outros cortes franceses até que…

Como sabemos, fim do século 19, chegou a praga filoxera e devastou os vinhedos da França. Foi aí que muitos enólogos e agrônomos trouxeram castas europeias para a América na tentativa de recuperá-las. Foi então que a Carménère chegou ao Chile confundida com a Merlot – além de serem fisicamente parecidas, a Carménère, como era colhida junto com a Merlot, também ganhava notas herbáceas. E durante anos a fio as duas foram plantadas, vinificadas e consumidas como se fossem a mesma.

Até que alguns enólogos no Chile começaram a perceber que algumas vinhas de “Merlot” demoravam mais para amadurecer e decidiram fazer análises comparativas. Só então descobriu-se que eram uvas diferentes e as notas verdes e os taninos duros da Carménère só se destacavam tanto porque ela estava sendo colhida no tempo errado, é uma uva de maturação mais tardia do que a Merlot.

Descoberto o potencial da cepa no Chile, alguns enólogos começaram a trabalhá-la de maneira tão cuidadosa e eficiente que hoje o país detém alguns dos melhores exemplares de Carménère, enquanto lá na França… Bem, raramente se vê um rótulo com ela.

Por muitos anos confundida com a Merlot, a cepa mostrou todo o seu potencial no país andino e hoje faz sucesso mundo afora, inclusive é uma das castas preferidas dos brasileiros.

E se quer uma dica, saiba que são vinhos ótimos para harmonizar com variados tipos de pizza – marguerita, calabresa e afins – ou carnes magras, massas com ragu e aves de caça, como pato. Além de reter boa acidez para harmonizar, os Carménères chilenos ganham mais corpo do que os franceses e taninos presentes, porém macios. São vinhos herbáceos, de boa estrutura e fáceis de beber.

O Impetu é feito 100% de Carménère. Produzido na região do Vale Central, este vinho acompanha da noite de pizza com a família ao churrasco na casa de amigos. Um rótulo para ter em casa para todas as ocasiões!

Vinho Tinto Impetu Carménère 2015 750 mL

Vinho Tinto Impetu Carménère 2015 750 mL


 

Por Carol Oliveira

Os melhores vinhos do Languedoc-Roussillon

Faz algum tempo que os vinhos do Languedoc-Roussillon vêm chamando a nossa atenção. Pequenos vinicultores descobriram em vilarejos como Corbières, Fitou e Minervois todo o potencial do terroir do Languedoc-Roussillon. Mesmo com qualidade comparável a grandes vinhos franceses, eles chegam ao mercado com preços muito abaixo da média. Descubra Tudo Sobre os Vinhos do sul da França com a Grand Cru!

Até os anos 1950, o sul da França era conhecido por produzir vinhos leves, ácidos e pouco alcoólicos, que ainda eram misturados a vinhos argelinos (que contribuíam com cor e álcool), e vendidos nas proximidades da capital Paris, no norte do país. À época, o único objetivo dos produtores era aumentar a quantidade de uva cultivada e, por consequência, o vinho produzido. A qualidade pouco importava.

Enquanto a reputação de outras regiões francesas ia crescendo ao redor do mundo, o Languedoc-Roussillon, que tinha a maior área de vinhedos da França (e uma das maiores do mundo), chegava ao que parecia ser a sua ruína. O preço dos vinhos começou a baixar e seus rótulos tornavam-se cada vez mais desvalorizados. Alguns produtores, com medo da má reputação da região, migraram para Bordeaux, Borgonha e Rhône, e venderam as suas propriedades por muito menos do que elas valiam anteriormente.

O cenário começou a mudar justamente com a chegada de produtores pequenos, mas com grande ambição, que tinham interesse e “know how” para produzir grandes vinhos, mas pouco dinheiro para investir nas caras propriedades de outras denominações da França. Instalaram-se em vilarejos como Corbières, Fitou e Minervois, que vieram a se tornar depois apelações de origem reconhecidas pela França.

Vista da cidade medieval de Carcassonne, no Languedoc-Rossillon (França).

Vista da cidade medieval de Carcassonne, no Languedoc-Rossillon (França).

As diferenças que fizeram na região se notam inclusive na paisagem: para melhorar a qualidade dos vinhos, tinham que reduzir drasticamente a produtividade das vinhas (e a quantidade de plantas por vinhedo). As áreas destinadas aos vinhedos também diminuíram.

O Languedoc-Roussillon é o segredo mais bem guardado da França, e foi ninguém menos do que Jancis Robinson que afirmou isso em um artigo que escreveu para o Financial Times em julho de 2010. “Para consumidores de vinhos, especialmente aqueles que gostam de vinhos artesanais, vinhos que expressam toda a individualidade do lugar onde cresceram, e ainda têm bons preços, o Languedoc-Roussillon é o parque de diversões perfeito”, disse a Master of Wine.

Chegou a hora de conhecer esses “spots” da região!

Corbiéres

A sub-região de Corbières se estende desde a planície da costa do Mediterrâneo até, conforme vai avançando no interior da França, uma porção montanhosa (chegando a até 600 metros de altitude). Produz desde vinhos de caráter maduro, como o Château Saint Eutrope Rouge 2013,  até vinhos mais complexos e elegantes, como o Domaine L’Alba – L’Ermite Rouge.

Vinho Tinto Château Saint Eutrope Rouge 2013 750 mL

Vinho Tinto Château Saint Eutrope Rouge 2013 750 mL

Vinho Tinto Domaine L'Alba - L'Ermite Rouge 2013 750 mL

Vinho Tinto Domaine L’Alba – L’Ermite Rouge 2013 750 mL

Coteaux-du-Languedoc

Apesar de abranger uma enorme área, Coteaux-du-Languedoc possui uma série de sub-divisões. La Clape e Pic Saint Loup são dois nomes para guardar na memória. Situada em uma planície isolada nas proximidades da costa, La Clape é conhecida por produzir tintos encorpados com estilo similar aos de Corbières. Já Pic Saint Loup, nos sopés dos Alpes, têm se destacado por proporcionar as condições ideais para produzir vinhos extremamente elegantes.

Vinho Tinto La Falaise Rouge 2014 750 mL

Vinho Tinto La Falaise Rouge 2014 750 mL

Côtes Catalanes

Eis a denominação da região que viveu a maior transformação nos últimos anos. Entre Corbières e a fronteira da Espanha, deixou de produzir vinhos doces e passou a dar origem aos tintos mais bem reputados de todo o Languedoc-Roussillon.

As melhores vinhas de Côtes Catalanes ficam na porção norte da apelação, localidade mais quente e mais acidentada de todo o Languedoc-Roussillon. Não bastasse o calor do Mediterrâneo e as longas horas de iluminação solar, seu solo é composto por xisto, concentrando o calor no vinhedo. Os ventos fortes resfriam as vinhas durante a noite e garantem boa amplitude térmica entre dia e noite (e consequente longo período de maturação das uvas, fazendo com que consigam atingir níveis perfeitos de açúcar e taninos).

Lá nascem vinhos extremamente concentrados em aromas, sabores, corpo e taninos.

Vinho Tinto Secret De Schistes Rouge 2012 750 mL

Vinho Tinto Secret De Schistes Rouge 2012 750 mL

Fitou

A primeira apelação de origem criada no Languedoc-Roussillon se divide em uma planície costeira e uma região montanhosa no interior. Nas proximidades do Mediterrâneo, a parte da planície produz vinhos mais encorpados e intensos da denominação. Enquanto isso, a porção montanhosa da denominação, que destaca-se pela altitude, e ainda recebe influência dos ventos, produz os seus vinhos mais leves (embora ainda tenham bastante corpo) e elegantes.

Vinho Tinto Domaine Galaman Rouge 2013 750 mL

Vinho Tinto Domaine Galaman Rouge 2013 750 mL

Minervois

Localizada nas encostas do Maciço Central, as vinhas de Minervois não chegam até a costa. La Livinière é considerado o seu melhor terroir.

Vinho Tinto Domaine Des Aires Hautes Réserve Rouge 2012 750 mL

Vinho Tinto Domaine Des Aires Hautes Réserve Rouge 2012 750 mL


Por Gustavo Jazra